África do Sul estreia com vitória e Uganda despacha Suazilândia

A selecção da África do Sul iniciou a defesa ao título após vencer tangencialmente a sua similar de Madagáscar por 1-0, em desafio referente à jornada inaugural do Grupo “A” do Torneio COSAFA, que arrancou hoje na cidade portuária de Port-Elizabeth, na África do Sul, devendo terminar no dia 22 de Setembro. Quem Também entrou com o pé direito foi a selecção do Botswana e do Uganda que levaram de vencida as suas congéneres do Malawi e da Suazil6andia por 2-0 e 4-3 respectivamente.

Foi num ambiente de festa e muita folia que arrancou a sexta edição do maior torneio regional de futebol feminino do Conselho das Associações de Futebol da África Austral (COSAFA). O Wolfson Stadium foi o local onde também rendeu-se a homenagem a saudosa Albertina Sisulu, uma destemida defensora da democracia e dos direitos humanos na África do Sul que completaria este ano 100 anos de existência.

Duas assistências da atacante Jermaine Seoposenwe colocaram a equipa sul-africana adiantada no marcador ainda na primeira etapa.  Khanya Xesi foi quem abriu o activo quando estavam apenas jogados sete minutos da contenda, enquanto que o segundo foi marcado pela jogadora a evoluir no Palace Super Falcon da África do Sul, Nothando Vilakazi no minuto 18. A selecção insular reduziu o placard por intermédio de Marie Rasoanandrasana, que cobrou uma grande penalidade no minuto 19.

As campeãs em título tiveram que travar uma disputa renhida, pois jogaram diante de um adversário a seu alcance e que criou imensas dificuldades as anfitriãs sobretudo na segunda etapa.  Foi na verdade uma partida emotiva e que contou com um forte apoio do público que puxava pela equipa anfitriã.

Se existe alguém a quem a selecção  malgaxe terá que agradecer é a guarda redes  Verosantantra Andrianandrasana, que foi sujeita por inúmeras ocasiões a salvar a sua equipa defendendo todos os remates que caminhavam em direcção a sua baliza.

A África do Sul venceu o Campeonato Feminino da COSAFA em quatro ocasiões – 2002, 2006, 2008 e 2017. Elas também estiveram na final em 2011, mas perderam para as anfitriãs do Zimbabwe.

As “filhas de Madiba” (Nelsno Mandela) conquistaram o seu primeiro título em 2002, após levarem de vencida o Zimbabwe por 2 – 1 na final, tendo vencido de seguida  os cinco jogos, marcando 36 golos na prova.  Isso incluiu as retumbantes vitórias sobre o Botswana (14-0) e Moçambique (13-0) na fase de grupos.

O mesmo cenário sucedeu em 2006, estas triunfaram todos os jogos na fase de grupos contra o Lesotho (9-0) e o Malawi (3-0), antes da vitória por 4-1 sobre o Zimbabwe nas meias-finais.  Na conquista da medalha de elas derrotaram a Namíbia por 3 – 1 na final.

Apresentando-se com uma equipa sub-20 para o torneio de 2008, as sul-africanas conseguiram sair vitoriosas em todos os seus jogos, incluindo um triunfo por 3-1 sobre a anfitriã Angola na final.   Mas, a corrida foi encerrada pelo Zimbabwe na decisão em 2011, deixando-as com um registo de 18 vitórias em 19 jogos da COSAFA.

Elas recuperaram o título em 2017, com vitórias sobre o Lesotho (3-0) e a Namíbia (3-1), que as levaram aos oitavos-de-final onde recuperaram um resultado de 3-0 a 13 minutos do final, empatando 3-3 com a Zâmbia tendo vencido na lotaria das grandes penalidades.Isso levou-as a uma final com o Zimbabwe, onde a África do Sul venceu por 2 – 1 para recuperar o troféu. As treinadas de Desiree Ellis, treinadora da África do Sul tem a espinhosa missão de não deixar escapar o título das suas mãos, algo difícil mas não impossível.

Botswana vence fácil Malawi

Coube a capitã das lady zebras, Lesego Keleboge apontar o único golo da partida a passagem do minuto cinco (5), numa jogada envolvente que apanhou desprevenida a defensiva contrária. As treinadas de Maggie Chombo Sadik, técnica da selecção do Malawi denotaram muitas dificuldades para invadir o meio-campo contrário. As representantes do Botswana asseguraram o resultado até o intervalo.

No reatamento viu-se um Malawi mais atrevido e disposto a correr atrás do prejuízo, mas a falta de eficácia por parte das atacantes fez com que a equipa perdesse as oportunidades de golo que teve a sua mercê. Depois de alguns minutos de sufoco, as treinadas de Gaoletlhoo Nkutlusang, técnica do Botswana recuperaram o fôlego e conseguiram manter o equilíbrio de tal modo que no minuto 77, a atacante a serviço do Double Action do Botswana, Lesego Radiakanyo apontou o segundo golo numa jogada de contra-ataque que voltou a apanhar adormecida a defensiva contrária.

Importa frisar que a selecção do Malawi apresentou-se desfalacada no seu onze inicial dada a ausência das irmãs Chawinga (Tabitha e Temawa) e da meio campista Sabina Thom, três unidades fundamentais no sector ofensivo da equipa. Aliás, a treinadora lamentou após o final do jogo a ausência destas jogadoras que encontram-se a evoluir fora do país. “Infelizmente não pudemos contar com elas porque os clubes não aceitaram ceder as atletas. Acredito que se elas cá estivessem a história seria outra…”lamentou Maggie Chombo Sadik

Uma vitória importante que marca o passo de uma caminhada rumo a conquista do almejado troféu. Na próxima jornada, Botswana irá medir forças com a África do Sul. Um jogo que está agendado para a próxima quarta-feira no Wolfson Stadium pelas 13. 00 horas locais.

Nesta edição a formação do Botswana procurará pela primeira vez passar a fase de grupos, uma vez que nas anteriores não foi para além disso.No passado as lady zebras quebraram o enguiço com uma vitória por 3-0 sobre a selecção do Lesotho. Recordar igualmente que estas chegaram também a participar na fase final na primeira edição (2002) desta competição, tendo novamente alcançado o mesmo feito em 2008 e 2011.

Elas também conseguiram empate contra as actuais campeãs da África do Sul, mas não foi o suficiente para avançar no seu grupo tendo terminado em segundo lugar. Não há dúvida de que as suas performances tem vindo a melhorar a  olhos vistos desde os primeiros anos.

A sua primeira partida na competição regional em 2002 terminou com uma derrota por 14 – 0 diante da África do Sul, mas na altura em que competiram nas últimas finais de 2017, os confrontos foram muito equilibrados.

Contudo, há que referenciar que esta equipa ainda teve a felicidade de se qualificar para um campeonato africano assim como para o Mundial. A última vez que participou numa campanha de eliminatória para o Campeonato Africano da categoria aconteceu em 2008.

Por sua vez, o Malawi fez pela primeira vez, o seu jogo internacional no Campeonato de 2002 da COSAFA, mas sofreu uma pesada derrota (8-0) diante das anfitriãs, Zâmbia naquele torneio.   Elas bateram o Lesotho no jogos seguinte por 3 – 0, mas não conseguiram chegar aos oitavos-de-final.Derrotaram o Lesotho pelo mesmoresultadono Campeonato Feminino de 2006 da COSAFA, mas uma derrota imposta pela África do Sul (3-0), pôs termo a esperança de chegar as meias-finais.

Só em 2011 a equipa malauiana chegou aos oitavos-de-final tendo terminando em segundo no seu grupo, mas voltou a falhar contra as sul-africanas com uma derrota por 5-1 nas meias-finais.   Elas terminaram em quarto, depois de perder por 3-0 contra a Tanzânia, na disputa do play-off para a medalha de bronze.

Já em 2017 a equipa conseguiu produzir os resultados que se podem esperar de uma partidad e futebol. As representantes do Malawi estrearam com uma derrota diante da Zâmbia (3-6), empatando com o Zimbabwe (3-3) e conquistando uma bela vitória sobre Madagáscar (6-3), para terminar em terceiro na tabela classificativa com quatro pontos.

Este é, de resto o palmarés destas equipas que de tudo farão para  alcançar os objectivos por si traçados.

Suazilândia entra em falso

Quem não deixou os seus créditos em mãos alheias foi  a selecção do Uganda, que participa na prova na qualidade de convidada. As representantes da África Ocidental que encontram-se inseridas no grupo “C” venceram a Suazilândia por 4-3, com os golos de Nassuna Hasifah (2 e 81’),  Alupo Norah e Resty Nanziri nos minutos 31 e 45+1 respectivamente.  O golo de honra da equipa da Suazilândia foi apontado por Tenanile Mgcamphalala, artilheira que milita no Manzine Wanderers da Suazilândia no minuto 61, Celiwe Nkambule ( 81’) e Cebile Shongwe (88’) .

Foi uma vitória difícil, diga-se de passagem avaliando pela performance das duas equipas em campo. Embora a Suazilândia tivesse entrado a perder, na segunda etapa a equipa do eSwatini esteve na eminência de fazer a reviravolta marcando três golos.

No seu palmarés, a selecção do Uganda conseguiu chegar a sua primeira aparição no Africano de 1998, onde   empataram a uma bola diante do Egipto, tendo a equipa demostrado um acentuável crescimento de lá a esta parte no que diz respeito ao futebol feminino.

Na próxima jornada a Suazilândia jogará diante do Zimbabwe enquanto que Uganda tem o encontro marcado com a Namíbia.

A sua última aparição no Campeonato Africano Feminino aconteceu em 2000, quando a competição foi realizada curiosamente na África do Sul.Elas tiveram azar de não chegar aos oitavos-de-final após um empate frente ao Zimbabwe (2-2) e a vitória sobre as Ilhas Reunião (2-1) fez com que elas perdessem um lugar nas meias-finais pela diferença de golos com o Zimbabwe.

A equipa ocupa actualmente a posição número 131 de acordo com o Ranking do Mundial Feminino da FIFA, no ano passado elas alcançaram o recorde com a posição 111, o que mostra a sua crescente proeza.

No que a  Swazilândia diz respeito, depois de um longo período de interregno há que destacar a vitória por 3 – 0 sobre o Botswana na sua segunda partida em 2002, e tiveram que esperar outros 15 anos para uma segunda vitória, e agora estão a procura do primeiro lugar na fase eliminatória da competição.

Elas conquistaram um triunfo por 3-0 sobre as Maurícias na primeira jornada da fase de grupos em 2017, depois de empatar 2-2 com Moçambique e perder por 1-0 para o vencedor do grupo, o Quénia, para terminar em segundo no grupo.

A equipa não conseguiu entrar ainda nas qualificações para o Campeonato Mundial Feminino e para o Campeonato Africano Feminino desde o final dos anos 1990, e tem estado inactiva nos últimos anos.

 

Please follow and like us: