Camarões goleia Moçambique (8-1) e Zimbabwe vence com serviços mínimos

A selecção feminina dos Camarões teve uma estreia auspiciosa ao derrotar copiosamente a sua congénere de Moçambique por contundentes 8-1, na jornada inaugural do Grupo “B” do Torneio COSAFA, que arrancou ontem na cidade portuária de Port-Elizabeth, na África do Sul, devendo terminar no dia 22 de Setembro. Mbappe (3’ e 53’), Mpeh (25’, 75’ e 88’), Abena (58’); Charlene (70’) e Agnes Nkada (85’) foram as obreiras deste feito. O golo de honra de Moçambique foi apontado por Cidália Cuta (53’).

Já a Zâmbia, integrante do grupo “B”, teve que suar as estopinhas para vencer a promissora selecção do Lesotho por 2-0, com os golos de Misozi Zulo (35’) e Barbra Banda (56’). Deste modo, as duas equipas (Zâmbia e Camarões) partilham a liderança do grupo com três (3) pontos.

O futuro das duas equipas será conhecido neste sábado, as 15.00 horas no Wolfson Stadium, quando ambas medirem forças entre si no desafio referente a segunda jornada da fase de grupos. Será sem dúvidas, uma partida que promete muito, considerando estamos perante duas representantes que irão disputar o Campeonato Africano da categoria que este será disputado em Gana.

No que ao grupo “C” diz respeito, a selecção o Zimbabwe, vice-campeã venceu tangencialmente a selecção da Namíbia por 1-0, com o golo solitário de Marjory Nyaumwe a passagem do minuto 17. Um bom começo para a equipa zambiana

Apesar se Moçambique ter conseguido gerir o jogo nos primeiros 15 minutos, a selecção do Camarões que participa neste torneio na qualidade de convidada, não poupou a equipa moçambicana fazendo jus da sua supremacia. A perda de concentração e os vários erros cometidos por Moçambique facilitaram a vitória  fácil para a sua adversária.

Moçambique volta a entrar em cena este sábado medindo forças com o Lesotho quando forem 10.00 horas .

Esta é a primeira aparição do Camarões na COSAFA  na qualidade de convidada. Certamente que a sua participação constitui uma mais-valia a prova conferindo deste modo maior competitividade entre as participantes. A equipa estaclassificada como a terceira melhor de África, de acordo com o Ranking Mundial Feminino da FIFA, atrás apenas da Nigéria e do Gana, e será a melhor equipa na competição de acordo com essa lista.

Anotar que a selecção do Camarões representou o continente no Campeonato Mundial Feminino da FIFA 2015 que teve lugar no Canadá, e o fizeram com desenvoltura, alcançando a segunda ronda.
Após as vitórias na fase de grupos sobre o Equador (6-0) e Suíça (2-1), elas perderam por 1-0 nos oitavos-de-final diante da China.

Os Camarões também têm um forte registo no Campeonato Africano Feminino, mesmo que ainda não tenham ainda saboreado o ouro. As suas 11 aparições anteriores renderam 10 viagens para os oitavos-de-final, com quatro medalhas de prata e dois bronzes.
Elas classificaram-se novamente para as finais em 2018 e usarão esta competição como preparação para esse evento em Gana neste ano.

Depois de dois anos de ausência em competições internacionais Moçambique regressa ao palco das acções após ver levantada a suspensão imposta pela Confederação Africana de Futebol (CAF).  Recorde-se que em 2013, a nossa selecção esteve impedida de participar em todas as come petições internacionais em virtude de ter averbado uma falta de comparência num jogo que deveria ter acontecido em Quénia referente as eliminatórias do CAN de Argélia.

Moçambique apareceu no primeiro Campeonato Feminino da COSAFA em 2002 e se destacou, alcançando as meias-finais antes de ser derrotada por 11-1 com as anfitriãs do Zimbabwe na eliminatória.

As moçambicanas não conseguiram igualar esse feito desde então, mas podem olhar para trás com orgulho nas vitórias sobre a Swazilândia (2-0) e Botswana (7-1) nesse campeonato inaugural.

Elas também competiram nas finais da competição regional em 2011, mas conseguiram apenas um único ponto na fase de grupos.O combinado moçambicano teve um sucesso misto em 2017, perdendo para o país da África Oriental, o Quénia (2-5), empatando com a Swazilândia (2-2) e batendo Maurícias (3-0).   Elas já participaram duas vezes das eliminatórias para o Campeonato Africano Feminino, mas não chegaram às finais continentais de 2006 e 2012.

A sua primeira internacionalização foi uma vitória por 3-0 sobre o Lesotho em 1998, com a sua maior vitória contra a Namíbia por 9-0 em 2006.

Namíbia não facilita

As vice-campeãs tiveram dificuldades em organizar o seu jogo nos primeiros 15 minutos, afinal a Namíbia não é nenhuma pêra doce, até porque provou isso nas anteriores edições. Mesmo sem poder contar com os préstimos da internacional que se encontra a evoluir na Espanha, Zenatha Coleman,  a selecção da Namíbia conseguiu impor o seu respeito  perante a “poderosa” equipa do Zimbabwe que alinhou com o seu melhor arsenal.

O primeiro aviso à navegação foi dado no minuto 14 pela atacante Rutendo Makore (melhor marcadora na edição passada com 10 golos)  que respondeu positivamente a um pontapé-de-canto cabeceando para uma defesa incompleta da guardiã Melisa Matheus da Namíbia. O golo veio a surgir quando estavam jogados 17 minutos por intermédio de Marjory Nyaumwe.

A temível Rutendo Makore, a atacante zimbabueana era constantemente policiada pela defensiva contrária que não arregalava os olhos a esta “máquina“ de fazer golos que sempre ameaçou violar a baliza a 10 minutos do fim da primeira etapa. Foi com a vantagem no marcador que a equipa treinada por Sithethelelwe Sibanda, treinadora do Zimbabwe foi ao intervalo.

A entrada para a segunda parte a formação zimbabueana manteve o mesmo caudal ofensivo de tal maneira que no minuto 54, Makore voltou a dar o ar da sua graça ao testar os reflexos da guardiã namibiana. Ao cair do pano Rutendo Makore voltou a desperdiçar mais uma situação flagrante de golo mesmo estando frente-a-afrente com a guarda-redes contrária. Makore fez o mais difícil passando pelas suas adversárias, mas na hora do remate a bola passou ao lado da baliza. Terminava assim a história de um jogo emotivo e que voltou a trazer a ribalta o melhor do futebol feminino.

A selecção do Zimbabwe volta a entrar em cena amanhã medindo forças com a sua similar da Suazilândia enquanto que a Namíbia terá pela frente a selecção do Uganda.

A conquista do Campeonato Africano de 2011 garantiu ao Zimbabwe a participação  no torneio de futebol feminino nos Jogos Olímpicos do Brasil em 2016.Neste há que refereir que oZimbabwe, que foi vice-campeão em 2017 em casa, sempre foi uma equipa competitiva e finalmente quebrou o seu enguiço na competição com a vitória em 2011.    Elas chegaram à final na competição inaugural em 2002, mas perderam para a África do Sul por 2-1, em Harare.

Elas chegaram à final com quatro vitórias seguidas, nas quais marcaram surpreendentes 36 golos, incluindo um recorde da competição por 15-0 sobre o Lesotho na sua estreia.As meninas do Zimbabwe terminaram o campeonato novamente em 2006, depois de duas partidas contra o seu único adversário na competição, a Angola, mas foram travadas nas meias-finais desta vez com uma derrota por 4 – 1 com a África do Sul.Elas foram derrotadas na disputa do terceiro lugar pela Zâmbia, perdendo por 2- 1 na disputa pela medalha de bronze.

O torneio de  2008 em Angola proporcionou pouca alegria, mas elas finalmente ergueram o troféu em 2011 em casa, quando fizeram a desforra vencendo a África do Sul por 1 – 0 na final.   Elas não conseguiram repetir o feito em Bulawayo em 2017, pois conquistaram o segundo lugar com vitórias sobre Madagáscar (4-0) e empataram com a Zâmbia (1 – 1) e o Malawi (3 – 3), antes de derrotaram a convidada  Quénia por 4-0, nas meias-finais.

Por sua vez, a Namíbia fez três aparições anteriores no Campeonato Feminino da COSAFA, em 2006, 2008 e 2017, e se destacou na competição regional. As Gladiadoras Valentes sempre foram competidoras duras no passado e se espera o mesmo nesta edição.

Na sua primeira exibição em 2006, elas conseguiram um excelente empate em 2-2 com a Zâmbia e depois bateram a Swazilândia por 6-0 na fase de grupos, o suficiente para vê-las nas meias-finais como vice-campeões do grupo.   Elas se vingaram da Zâmbia com uma vitória por 5-4 nos de penáltis depois de um empate em 1 – 1, mas perderam na final diante da África do Sul por 3-1.

Estas chegaram às meias-finais novamente dois anos depois, mas desta vez foram afastadas na fase de grupo pela África do Sul, ironicamente pelo mesmoresultado.Nesse percurso tiveram menos sucesso em 2017, vencendo o Botswana por 4 – 0, na sua estreia, mas depois perderam por 2 – 1 com o Lesotho e mais uma vez sofreram uma derrota por 3 – 1, contra a África do Sul para terminar na última posição no seu grupo.

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