Football - 2017 Cosafa Castle Cup - Final - Zambia v Zimbabwe - Royal Bafokeng Stadium - Rustenburg

Zimbabwe conquista COSAFA Castle Cup 2017

A Selecção do Zimbabwe conquistou o seu quinto título na 17ª edição da Taça COSAFA CUP, ao vencer a sua similar da Zâmbia por 3-1, com golos a serem marcados por Knox Mutizw,Talent Chawapiwa, Ocean Mushure nos minutos 22, 55 e 67 respectivamente. O golo de honra do lado da Zâmbia foi apontado por Lubinda Mundia, aos 38 minutos. O torneio que decorre desde o passado dia 25 na província North West em Rustenburg teve o seu epílogo hoje com a tradicional cerimónia de atribuição de medalhas e troféus por parte da organização.

A cerimónia contou com a presença de altas figuras do desporto africano nomeadamente Dr.Phillip Chiyangwa, presidente da COSAFA, Ahmad Ahmad, presidente da Confederação Africana de Futebol (CAF), Dr. Danny KJordan, presidente da Liga Sul-africana de Futebol (SAFA) dentre outros convidados. Das mãos do presidente da CAF, Ovidy recebeu o prémio de melhor marcador enquanto que o seu colega Knox foi considerado o melhor jogador da prova

Foi um jogo de emoções fortes e impróprio para cardíacos, afinal estavam em campo duas respeitáveis selecções que há muito tinham contas por acertar uma vez que em 2013 a Zâmbia conquistava a custa do Zimbabwe o seu quarto título vencendo em Ndola, capital zambiana os “guerreiros” por 2-0. Foi a desforra do Zimbabwe, uma vitória justa e incontestável.

Houve festa e loucura total por parte dos adeptos que chegaram a invadir por completo o campo embaraçando a organização.

É na verdade uma história repleta de cumplicidade e de coincidências em números. Os dois conjuntos até então haviam realizado seis partidas entre si tendo ambos ganho dois jogos, empatado dois e perdido em igual número. Curiosamente ambas contavam com quatro golos marcados.

A história começou a ser escrita quando o Zimbabwe, quatro vezes campeão (2000, 2003, 2005 e 2009), viu o seu caminho interrompido pelos Brave Warriors (Namíbia), que lhe golearam por 4-1 na terceira e última jornada do Grupo A, em que o Zimbabwe só precisava de um empate para estar nos quartos-de-final. Hoje os zimabuanos reescreveram a história com letras douradas.

No rescaldo das 17 edições até aqui realizadas, Zâmbia e África do Sul são as selecções que já ganharam a competição mais vezes (4), seguidos por Angola com três conquistas.

O PERCURSO DOS FINALISTAS

Foi na verdade um percurso de muita batalha e optimismo que o Zimbabwe realizou ao longo destas duas semanas. O cansaço acumulado ao longo dos seis dias consecutivos foi convertido com a determinação e a confiança que esta equipa sempre demonstrou ao longo destes dias.

A vitória retumbante frente Moçambique na primeira jornada da fase de grupos por 4-0, permitiu com que a equipa ganhasse motivação para os combates seguintes. Já na segunda jornada a Madagáscar, que também estava inserida no mesmo grupo (B), não permitiu que os guerreiros somassem pontos a sua custa tendo o resultado terminado sem golos. Foi um empate que de certa forma comprometia as aspirações do Zimbabwe. Pelo contrário, Sunday Chidzambga, técnico do zimbabueano desdramatizou referindo que os seus objectivos continuavam intactos.

Na terceira e última jornada os “Guerreiros do Zimbabwe” ganharam fôlego impondo uma goelada histórica às Seychelles por 6-0, onde o atacante Ovidy Karuru fez um hat-trick. Ficava assim garantida a passagem para os quartos-de-final. Já nos quartos, o Zimbabwe venceu a Suazilândia, esta que esteve isenta da fase grupos, por 2-1.

Foi nas meias-finais que os treinados de Sunday Chidzambga tiveram que suar as estopinhas para vencer o Lesoto. O jogo viria a terminar com a vitória por 4-3 a favor do Zimbabwe.

Nas 33 aparições até aqui feitas na COSAF o Zimbabwe contabiliza um total 21 vitórias, oito (8) empates e quatro derrotas. No período em causa, os zimbabueanos conseguiram marcar 60 golos e sofrido 21.

Já a Zâmbia que entrou directo para os quartos-de-final, uma vez que também esteve dispensada da fase de grupos por conta do seu posicionamento no ranking da FIFA venceu o Botswana por 2-1, passando para as meias finas tranquila onde foi suplantar a Tanzania por 4-2.

No seu histórico na COSAFA, a Zâmbia apenas conseguiu até aqui impor uma goleada ao Malawi ao vencer por 4-0, tendo curiosamente tido a sua pior derrota frente ao Zimbabwe, em Novembro de 2009.

Histórico entre a Zâmbia e Zimbabwe

Contabilizam-se apenas duas volumosas vitórias que o Zimbabwe registou no seu histórico em jogos oficiais. A primeira data de 1977, frente a África do Sul, em       que os Bafana Bafana perderam por 7-0, quando o país chama-se até então por Rodésia do Sul. A 26 de Agosto o Zimbabwe voltou a fazer estragos ao derrotar também pelo mesmo resultado (7-0), a sua similar do Botswana.

Já na COSAFA, o recorde de maior número de golos obtidos num só jogo foi contra as Seychelles após vencerem por contundentes 6-0, tendo sido a pior derrota frente a Namíbia por 1-4.

A Zâmbia que também conta com quatro títulos (1997, 1998, 2006, 2013) na Taça do Campeões Africanos conta também com o registo de três resultados expressivos no seu palmarés conseguido em partidas de carácter particular, com destaque para a estrondosa goleada aplicada a Suazilândia (11-02), no dia 5 de Fevereiro de 1978.

Quem também não escapou da fúria zambiana foi o Kenya que a 13 de Novembro ainda do mesmo ano, sucumbiu ao perder por 9-0, e pelo mesmo resultado o Lesoto foi humilhado em 1988.

A pior derrota que uma vez os “Chipolopolo” averbaram aconteceu frente a República Democrática do Congo por 10-1 e com a Bélgica por 9-0 em Junho de 1994.

São no total 50 jogos que a Zâmbia realizou no seu percurso na COSAFA dos quais empatou 27, perdeu sete (7), marcou 75 golos e sofreu 32.

O JOGO: CONTRA FACTOS NÃO HÁ ARGUMENTOS

Aos seis minutos do desafio o Zimbabwe deu o seu primeiro aviso com um cabeceamento de Jimmy Tigere, mas a bola caprichosamente passou ao lado da baliza à guarda de Allan Chibwe. Na verdade era o Zimbabwe a equipa que decidiu tomar as rédeas do jogo saindo em ataque perante uma Zâmbia calculista e que chegou a demonstrar algumas tremedeiras na sua defensiva.

E não tardou, aos 22 minutos já gritava-se golo no Royal Bafokeng Sports Palace, Knox Mutizwa que já conta com cinco golos na competição abriu o activo galvanizando, assim a sua equipa. Um desentendimento entre Allan Chibwe e os seus centrais esteve na origem do golo sofrido.

Aos 29 minutos Knox Mutizwa volta a levar perigo depois de ter rematado forte à baliza contrária, mas Allan Chibwe a negar com categoria. O lance surge depois de uma jogada combinada no interior da grande área com dois colegas seus.

Reagindo ao golo, no minuto 37 Jackson Chirwa, da Zâmbia testa os reflexos do guarda-redes Allan Chibwe com um remate a meia distância para uma defesa incompleta que originou canto. No minuto seguinte (38) Lubinda Mundia, iguala a partida marcando o seu primeiro golo no torneio. Estava deste modo relançado o jogo. As duas formações recolheram aos balneários com empate no marcador (1-1).

À entrada para a segunda parte o Zimbabwe continuou com o mesmo fulgor ofensivo e não foi preciso fazer muito esforço para perceber que às ordens dadas por Sunday passavam por atacar e não dar espaço o adversário pensar com discernimento. Knox Mutizwa, jogador a serviço do Golden Arrows voltou a destilar o seu veneno ao cabecear a bola que foi beijar numa das barras transversais, e na recarga Talent Chawapiwa faz o 2-1. Estavam jogados 55 minutos.

A ofensiva foi tanta que os zambianos andavam a deriva e despidos ideias para contrariar o favoritismo do seu adversário. E só para não variar Ocean Mushure, que já conta com quatro golos marcou o terceiro transcorridos 67 minutos numa jogada em que foi assistido pelo seu colega Knox Mutizwa.

Ficava cada vez claro que o vencedor da 17ª edição da COSAFA CUP já tinha um nome, Zimbabwe! O resto foi festa.